ANGANA

O Núcleo de Pesquisa e Educação Patrimonial em Territórios Negros em São Paulo - ANGANA surgiu a partir de encontros e discussões de pesquisadores em história e cultura afro-brasileira na sede da entidade Movimento Cultural Penha (MCP) desde janeiro de 2014. Atraídos inicialmente pela história da Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos da Penha de França, patrimônio histórico do século XVIII, e pelas ações culturais promovidas no território o grupo fundamenta um Núcleo de pesquisa direcionado à problematização dos territórios negros na cidade.


ANGANA é uma palavra banta, do quicongo nganda e significa praça aberta e limpa numa aldeia; praça pública. 
LOPES, Nei. Novo dicionário banto do Brasil. Rio de Janeiro: Pallas, 2012.

TEMAS DE ESTUDO
História das Igrejas do Rosário dos Homens Pretos em São Paulo;
História dos Quilombos no Estado de São Paulo;
História do Samba Paulista e suas territorialidades;
O Movimento Abolicionista no Estado de São Paulo;
Associações negras;
A imprensa negra em São Paulo e suas territorialidades.

OBJETIVOS

1. Evidenciar a presença múltipla e heterogênea da população negra na cidade de São Paulo, como sujeito ativo e partícipe da história dessa cidade, entendendo que tal ato está diretamente relacionado com o combate ao racismo e o fortalecimento da democracia;
2. Promover estudos e pesquisas relacionadas às histórias e culturas das populações afro-brasileiras na cidade de São Paulo;
3. Problematizar a história da população negra na cidade de São Paulo a partir da leitura “a contrapelo” das narrativas da história oficial;
4. Realizar atividades de educação patrimonial relacionadas aos patrimônios materiais e imateriais das populações afro-brasileiras;
5. Promover e difundir conhecimentos sobre as histórias e culturas dos afro-brasileiros na cidade de São Paulo;
6. Reunir indicações de referências bibliográficas, obras audiovisuais e registro de atividades culturais que possam servir de referência para estudos e pesquisas sobre educação patrimonial e territórios afro-brasileiros.

JUSTIFICATIVA

Partir dos patrimônios materiais e imateriais presentes na história de São Paulo e reavê-los na perspectiva das narrativas e memórias que evidenciam o protagonismo da população negra, coloca em xeque a parcialidade e teor fragmentário das versões da história hegemônica, como também, trazem a tona outras narrativas que agregam outros vetores para compor o quebra-cabeça das historicidades negras paulistanas. 
Reaver essas histórias e memórias que inegavelmente empoderam a população negra conformam outra leitura possível para a formação da capital paulista e do país como um todo.
Recompor o quebra cabeça das memórias partindo do patrimônio cultural significa trazer outras óticas para a compreensão da cidade de São Paulo, da história da população negra e da identidade paulista pelo viés da pluralidade denunciada nos indícios da arquitetura, eternizado em nomes de placas, ecoando nos largos, praças, becos, anunciado em inscrições em portas de igrejas e reverberando em poéticas silenciosas, mas ainda latentes das ruas paulistas.
Temporalidades e memórias sobrepostas em camadas aguardando para serem descobertas, como uma canção antiga que você ouve e se reconhece.

PESQUISADORES

Patrícia Freire de Almeida
Formada em História e Pós Graduada em História da Arte pela Unicsul, foi Coordenadora Pedagógica do Centro da Criança e Adolescente em União de Vila Nova (2006/2009), executou várias oficinas e workshops na área de educação patrimonial; comunicação em fanzine, multimídia, blogs e redes sociais em Universidades, Ong’s e escolas por meio de projetos patrocinados pelo Programa de Valorização de Iniciativas Culturais – VAI da Secretaria Municipal de Cultura em 2008 e 2009. Atualmente é pesquisadora e agente cultural do Movimento Cultural Penha, ONG pela qual é coautora dos livros: Recados – Memória das relações entre a Comunidade e o Patrimônio e Movimentações pela Cultura, painel dos movimentos de cultura da zona leste 1980-1990. Atua como produtora e pesquisadora há 10 anos junto a Comissão de Festa do Rosário em resgate da memória e cultura afro-paulistana na região da Penha de França. Membro do Angana - Núcleo de Pesquisa e Educação Patrimonial em Territórios Negros em São Paulo.

Julio Cesar José Marcelino
Formado em Geografia pela USP, atuou como Articulador Social no CREN, mediando ações comunitárias com vários atores sociais dentro e fora da comunidade do Jardim Pantanal. Produtor Cultural desde 2002 coordenando a Casa de Cultura de São Miguel (Secretaria Municipal de Cultura) e no MCP – Movimento Cultural Penha desde 2001, desenvolvendo projetos culturais: como Memória Viva Tietê, Recado aos Nossos Ancestrais, eventos e formação. É co-autor do Livro Recados – Memória das relações entre a Comunidade e o Patrimônio, lançado em 2011 e do Movimentações pela Cultura – Um painel dos movimentos culturais da Região Leste de São Paulo 1980-1990 pelo MCP em parceria com a Secretaria Estadual de Cultura.
Integrante da Comissão dos Festejos do Rosário da Penha de França que há 14 anos vem organizando a Festa do Rosário juntamente com a comunidade, e do Angana – Núcleo de Pesquisa e Educação Patrimonial em territórios Negros em São Paulo.

Monica Mantovani Goulart
Historiadora graduada pela Universidade de São Paulo e Guia de Turismo credenciada pelo Ministério do Turismo. Na área de Educação Formal já atou como professora de História efetiva da Rede Estadual de Ensino do Estado de São Paulo, e Coordenadora Pedagógica na Rede Municipal de Ensino de Taboão da Serra. Na área de Educação não-formal já atuou como Educadora do Catavento Cultural e Educacional da Secretaria do Estado da Cultura, e como Assessora Técnica Cultural da Fundação Butantan. Já realizou diversas pesquisas sobre a história da população afro-brasileira. É membro do Bloco Afro Ilú Obá De Min, associação que desenvolve intervenções culturais com o objetivo de divulgar e preservar a cultura negra no Brasil. Atualmente cursa pós-graduação lato sensu em História, Sociedade e Cultura na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo; atua em projetos de Turismo Social na Rede SESC/SP; é membro do Grupo Ururay – coletivo que busca a preservação do Patrimônio Cultural da região Leste de São Paulo; e é pesquisadora do Angana - Núcleo de Pesquisa e Educação Patrimonial em Territórios Negros em São Paulo.

Thais Fernanda Alves Avelar
Graduada em Lazer e Turismo pela Universidade de São Paulo – USP. Mestre em Museologia pela USP. Atua na coordenação do Núcleo de Consciência Negra na USP-NCN. Pesquisadora docente do curso Afrodescendência Plural e Ativa no Brasil: Desconstrução e reconstrução das historicidades das populações negras em São Paulo (1ª edição) contemplado pelo PROAC - Proteção e Promoção das Culturas Negras. Coordenação do curso História e Culturas Africanas no NCN-USP. Coordenação da Semana da Memória, Cultura e Resistência: As lutas do povo negro no departamento de História da USP. Coordenou o Simpósio A Negritude em debate: Intersecções entre arte, cultura, gênero e  política realizado na casa de Cultura Japonesa na USP. Coordenou o Projeto Diversidade Cultural na contramão do crack, voltado a população em situação de vulnerabilidade social, contemplado pelo edital do Ministério da Cultura - MINC. Atuou como arte-educadora em espaços museológicos como o Museu Afro-Brasil, Museu de Arqueologia e Etnologia MAE-USP, Museu do Theatro Municipal de São Paulo e Fundação Bienal de Artes de São Paulo. Ministrou a palestra “A mulher negra no museu” no Paço das Artes”.    Ministrou o seminário “A mulher negra representada nos museus” no Museu Índia Vanuíre em Tupã. Desenvolve trabalhos com educação patrimonial. Ministra palestras sobre questões étnico raciais, versando sobre temas relativos a implementação da Lei 10.639/03, atualizada pela Lei 11.645, como gênero e a especificidade da mulher negra, ações afirmativas, cultura e patrimônio afro-brasileiro. Pesquisadora sobre a representação das mulheres negras nos museus. Pesquisadora sobre questões de acessibilidade e identidade cultural. Membro do Angana – Núcleo de Pesquisa e Educação Patrimonial em Territórios Negros.

Marcelo Vitale T. da Silva
Graduado em História e mestrando no Programa de Pós Graduação Diversitas pela Universidade de São Paulo – USP, estudando a história de mulheres negras em São Paulo. Integrante da coordenação do Núcleo de Consciência Negra na USP-NCN. Coordenadou do curso História e Culturas Africanas sediado no NCN-USP, bem como a Semana da Memória, Cultura e Resistência: As lutas do povo negro no departamento de História da USP. Membro do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência – PIBID, linha de atuação: História da África e afrodescendente, história indígena e relações de gênero, orientado pela Professora Doutora Antônia Terra C. Fernandes. Desenvolveu o trabalho intitulado “Práticas de ensino de história e instrumentos pedagógicos para outros olhares possíveis: Focalizando a agência histórica de mulheres negras no final do século XlX e início do XX em São Paulo”. Realizou o trabalho “Jornal A Redempção: O documento como suporte de revisão historiográfica e possibilidade de novos olhares acerca da abolição”, Orientadora: Maria Helena Pereira T. Machado. Ministrou o Ateliê Pedagógico – Perspectivas interdisciplinares do ensino de História e Geografia na Lei 10.639/3 organizado pelo Núcleo de Apoio à Pesquisa e Estudos Interdisciplinares sobre o Negro Brasileiro – NEINB/USP. Atualmente é membro do Angana – Núcleo de Pesquisa e Educação Patrimonial em territórios Negros em São Paulo.

Contato
(11) 2306-3369 Movimento Cultural Penha
angana.nucleodepesquisa@gmail.com
http://www.tribufu-mcp.blogspot.com.br/